quarta-feira, fevereiro 28, 2007

A rua da rimas


A rua das rimas

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,direita,
estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e
varais nos quintais;

e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso;
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rara de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;
e de noite, no ócio capadócio,
junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (Mulata ingrata que mata...);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio...

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher
que bem me quer
é uma rua, como todas as ruas, com suas duas calças nuas,
correndo paralelamente, como a sorte diferente de toda gente,
para a frente,
para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito,
bendito, que sempre repito
e que rima com mocidade, liberdade, tranqüilidade:
Rua da Felicidade.

(Guilherme de Almeida)

***

A rua das rimas é um poema raro, agradável, divertido, bem feito. Uma obra prima de Guilherme de Almeida que lembro-me de ter lido em um livro de português na sétima série.

Guilherme de Andrade de Almeida, advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor, nasceu em Campinas, SP, em 24 de julho de 1890, e faleceu em São Paulo, SP, em 11 de julho de 1969. Eleito para a Cadeira nº. 15 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Amadeu Amaral, em 6 de março de 1930, foi recebido, em 21 de junho de 1930, pelo acadêmico Olegário Mariano.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Eterno, eternamente


Queria um dia ser eterno.

Pra viver todas as amarguras, que a vida pudesse trazer.
Pra ter o prazer de amadurecer, sem medo de perecer.
Pra desvendar os mistérios, que uma noite quisesse esconder.

Queria um dia ser eterno.

Pra conhecer tudo aquilo, que a história pudesse contar.
Pra saber de todos os líderes, que viessem a despontar.
Pra encarar todos os medos, que aparecessem a desafiar.

Queria um dia ser eterno.

Pra não ter que partir.
Despedir-me da vida que vivi.
Deixar as pessoas que convivi.

As vezes quero ser eterno.

Simplesmente por esquecer de perceber.
Que o tempo nos faz envelhecer.

(Emilio Numazaki - 17 de janeiro de 2007)

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Forever young


Alphaville - Forever Young

Lets dance in style, lets dance for a while
Heaven can wait were only watching the skies
Hoping for the best but expecting the worst
Are you going to drop the bomb or not?

Let us die young or let us live forever
We dont have the power but we never say never
Sitting in a sandpit, life is a short trip
The musics for the sad men

Can you imagine when this race is won
Turn our golden faces into the sun
Praising our leaders were getting in tune
The musics played by the madmen

Forever young, I want to be forever young
Do you really want to live forever, forever and ever

Some are like water, some are like the heat
Some are a melody and some are the beat
Sooner or later they all will be gone
Why dont they stay young

Its so hard to get old without a cause
I dont want to perish like a fading horse
Youth is like diamonds in the sun
And dimonds are forever

So many adventures couldnt happen today
So many songs we forgot to play
So many dreams are swinging out of the blue
We let them come true

***

Alphaville era uma banda alemã, que fez bastante sucesso na década de 80. Seus membros iniciais eram Marian Gold (Hartwig Schierbaum, nascido em 26 de maio de 1954 em Herford), Bernhard Lloyd (Bernhard Gößling, nascido em 6 de junho de 1960 em Enger, Bielefeld) e Frank Mertens (Frank Sorgatz, nascido em 26 de outubro de 1961 em Enger, Bielefeld). A banda era conhecida inicialmente como Forever Young.

Suas músicas mais famosas são Big in Japan e Forever young, esta última foi tema de diversas formaturas na década de 80 e trilha sonora do filme Napoleon Dynamite além do episódio Underage Drinking: A National Concerns da série It's Always Sunny in Philadelphia.

Em 1984 a banda foi renomeada para Alphaville e lançou o single Big in Japan, seguido por Sounds Like a Melody e Forever young, pouco tempo depois foi lançado o album Forever young. Devido ao sucesso, Frank Mertens deixou a banda no mesmo ano e foi substituido por Ricky Echolette (nascido em Wolfgang Neuhaus, Cologne em 6 de agosto de 1960), em janeiro de 1985.

Forever young é uma música que reflete um dos mais remotos anseios das pessoas: Ser eternamente jovem. Um plano sedutor, que nos leva aos mais longinquos questionamentos sobre o nosso tempo restante. Quem é que não gostaria de ser eternamente jovem? Esquecer os problemas trazidos pelo tempo e viver uma jornada sem fim?

Os dias, as semanas, meses e anos não nos fariam mais diferença, teriamos tempo para realizar tudo que desejar e sofrer os mais ásperos desesperos. Eterno e infinito. Dois conceitos vagos, distantes, abstratos demais para serem mensurados. Quem sabe a beleza de viver não esteja intimamente ligado ao fim? A certeza de um ponto final nos faz querer se agarrar as oportunidades com vontade, a mesma vontade que nos fazem sonhar.

Clique aqui para saber um pouco mais sobre a banda Alphaville (Wikipedia) e aprecie o misterioso clipe de Forever young.

domingo, janeiro 07, 2007

Boas recordações de 2007


Mais um ano se foi. Passou depressa, depressa demais e cada vez mais rápido passará se não mudarmos. Por muitas vezes me vi questionando se isto é apenas impressão ou uma realidade. O que nos faz ter a impressão de que o tempo está passando mais depressa? Será a falta de sensibilidade nas coisas que acontecem?

De tempos em tempos a vida cai numa perigosa rotina. A mesmice das coisas acabam ofuscando a beleza dos detalhes. Isto faz com que sua vida não mude mais. As tarefas ficam chatas, as coisas simples perdem valor e a felicidade escapa por pequenas fissuras. Aos poucos viramos um ser vazio, sem muitas coisas a esperar e sem vontade de prosperar. Pensamos que nada pode melhorar e nos conformamos com o regular.

Então, quando tudo parece perdido, os ponteiros do relógio se movem, as folhas do calendário caem e o final de ano chega. Começa aquele clima de ansiedade e esperança de dias melhores. Numa contagem regressiva vem um novo ano. O Sol parece brilhar diferente, os ventos assopram numa nova melodia e a vida recomeça.

Sétimo dia do sétimo ano do novo milênio, já é hora de mudar. Estamos no começo, é tempo de desacelerar. Curtir cada momento, dar valor a cada gesto e a cada pequeno detalhe que nos circunda.

Que em 2007, possamos aprender que a felicidade se esconde nos pequenos detalhes, nas coisas pequenas que fazemos no dia a dia. Feliz ano novo e os votos de boas recordações para este ano que se inicia.

sábado, janeiro 06, 2007

A house where we can stay


Housemartins - Build

Clambering men in big bad boots
Dug up my den, dug up my roots
Treated us like plasticine town
They built us up and knocked us down

From meccano to legoland
Here they come with a brick in their hand
Men with heads filled up with sand

Its build

Its build a house where we can stay
Add a new bit everyday
Its build a road for us to cross
Build us lots and lots and lots and lots and lots

Whistling men in yellow vans
They can and drew us diagrams
Showed us how it all worked it out
And wrote it down in case of doubt

Slow, slow, quick, quick, quick
Its wall to wall and brick to brick
They work so fast it makes you sick

Its build

Its build a house where we can stay
Add a new bit everyday
Its build a road for us to cross
Build us lots and lots and lots and lots and lots

Its build

Down with sticks and up with bricks
In with boots and up with roots
Its in with suits and new recruits

Its build


***

Housemartins é uma banda inglesa, formada originalmente em 1983 pelo vocalista Paul Heaton, o guitarrista Stan Cullimore, o baixista Ted Key e o baterista Chris Lang. Os membros da banda mudaram com uma certa frequência durante a carreira. Ted Key foi substituído por Norman Cook (futuro Fatboy Slim) e o bateirista Chris Lang foi substituido por Hugh Whitaker, antigo baterista da banda The Gargoyles que em seguida foi substituído por Dave Hemingway.

Foram lançados um total de três álbuns e diversos singles, os três albuns foram: London 0 Hull 4 (Junho de 1986), The People Who Grinned Themselves to Death (Setembro de 1987) e o Live At The BBC (2006). Dentre os singles, está Build, lançada em 1987.

Build canta a magia de construir, neste caso um lar, mas pode representar tudo aquilo que construímos, pouco a pouco. Algo que ao final representará uma totalidade imensurável, talvez uma história.

Clique aqui para saber mais sobre o Housemartins (Wikipedia) e curta o clipe logo abaixo.

domingo, dezembro 17, 2006

Coisas raras


Um das coisas mais interessantes da vida é a raridade de alguns eventos. Existem dois em específico que me chamam a atenção: O nascer e a morte. Você jamais vivenciará os eventos destes dois extremos repetidas vezes.

Nascemos uma vez e seguimos nosso ciclo vital, que compreende o crescimento, reprodução, evelhecimento e enfim a morte. Aonde encerramos as atividades biológicas e tudo mais. Para muitos é motivo de desespero, para outros indiferença, alguns até encaram como libertação. Eu prefiro enxergá-lo como sendo o ponto final. Assim como tudo, a própria vida tem seu fim.

Todos nós, inevitavelmente um dia chegaremos em final de carreira. A carreira da vida. Enquanto isso, escrevemos nosso currículo. Fatos, opções, decisões, erros, contribuem para que possamos grafar nas linhas da existência, nossas sensações.

As vezes observo na praça pessoas de idade avançada caminharem nos jardins. Reparo sempre no andar da experiência, o olhar da sabedoria e as vezes um sentimento de despedida, não uma despedida comum, é uma despedida sem volta, aonde surge a chance de provar, enfim, o último dos sentidos.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Final de ano.


Final de ano. Sim, já falamos sobre, mas agora a ótica é diferente. Cá estamos nós, caminhando em dias de dezembro, chegou rápido demais, os dias correram depressa, tão depressa que sinto um enorme cansaço. É como se tivesse corrido uma maratona inteira, sem parar.

Final de ano. Janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro... Dezembro! Doze meses em um dia. Doze meses em uma vida! Um ano a mais de nossa passagem, é um ano a mais de histórias que contaremos nos botecos da vida, entre um gole e outro da essência da juventude ou experiência.

Final de ano. É hora de deixar no caminho, alguns fantasmas, coisas que esvaziam nosso espírito, pesam na alma. Deixe-as gentilmente, despeça-se e não olhe para trás.

Final de ano. Novas promessas, novos desejos, novas esperanças e novos erros, por que não?

Ao amanhecer do dia primeiro de janeiro de 2007, pense em alto e bom tom: Este ano será o melhor ano da minha vida.

Feliz ano novo!

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Keep walking...

Outro dia, em uma das raras ocasiões em que estava assistindo TV, me deparei com algo inesperado: Um comercial perfeito (ou quase).

Normalmente os comerciais do whisky Johnnie Walker são muito bons mas este surpreende. É o relato de um andróide que diz que um de seus desejos é ser humano, para saber o que significa ter sentimentos, ter esperanças, ter angustias, duvidas, amar... Ele duvida que seja o futuro, porque o futuro somos nós, humanos. E fecha com algo inspirador: Eu posso alcançar a imortalidade. Basta não me desgastar. Você também pode alcançar a imortalidade. Basta fazer apenas uma coisa notável.

Algo notável pode imortalizar uma pessoa?

Sim! Pessoas comuns em atos incomuns podem mudar o rumo da história, seja para o bem, seja para o mal. Quantas pessoas assim já existiram? Quantas de fato são imortais? Poucas! Poucas pessoas são imortais! Restam a própria existencia, deixam para trás uma marca! Algo para ser lembrado.

E você? O que fará para fazer a diferença?

Keep walking.

***


domingo, novembro 12, 2006

... então valeu a pena.


Coragem, coragem. As vezes falta coragem para dar um passo adiante.
Coragem para chamar,
coragem para perguntar,
coragem para falar,
coragem para declarar. Coragem.

Quem é que já não passou por uma situação dessas? Em que falta coragem para pular de fase? Aonde é que foi parar a coragem para aquela vontade de falar com a mocinha ou o mocinho da festa? Aonde é que foi parar a coragem para levantar a mão e perguntar? Aonde é que foi parar a coragem para declarar o que sente? É, as vezes este bendito nos trai. Seja lá por qual motivo! Timidez? Inconveniencia? Medo do fracasso? Sim! Todos eles! Misturados e escaldados, faz um estrago que vira arrependimento.

De vez em quando, surge uma luz. Um ato impensado, a última chance, a última tentativa. Aí a coisa muda! O calafrio domina seu corpo, o suor gelado refrigera o rosto resguardado e tímido e algo acontece. A mensagem foi entregue e o contato sugerido.

Não deu certo? Vou parafrasear um amigo que certa vez disse que só nos resta pensar que... Se o coração bateu mais forte, então valeu a pena.

quinta-feira, novembro 02, 2006

O ano


É hora de refletir, analisar, recomeçar. O recomeço é uma renovação, fica a impressão de que existe uma nova chance. Uma nova oportunidade de fazer direito ou errar um pouco menos.

O tempo passou, em poucos dias um novo ano se inicia, uma nova época se edifica. É engraçado como as coisas são. O ano novo é um dia como qualquer outro, mas fica a sensação de reinicio. Cultivam-se novas esperanças e novas antigas promessas. As vezes as promessas não cumpridas aparecem para incomodar. Confesso a vocês que deixei de cumprir diversas delas que fiz no final do ano que se foi. Por outro lado realizei coisas que jamais pude imaginar. Algumas loucuras, preocupações, outras tristezas. Já diziam os mais velhos que a vida é mesmo assim, uma nova surpresa em momentos inesperados.

Sei que ainda é cedo para fazer um balanço do ano que se finda, mas sinto as brisas da mudança. Os ventos mudaram, a sorte está mudando, para melhor ainda não sei. O que sei é que um clima de despedida está no ar. As chuvas começaram e são implacáveis, persistentes, os sinos natalinos começarão a soar e os fogos de artifício comecarão a estourar, anunciando um novo dia e um novo ano.

quinta-feira, outubro 19, 2006

True


Spandau Ballet - True


So true funny how it seems
always in time, but never in line for dreams
Head over heels when toe to toe
This is the sound of my soul,
this is the sound
I bought a ticket to the world,
but now I've come back again
Why do I find it hard to write the next line
Oh I want the truth to be said

Huh huh huh hu-uh huh
I know this much is true
Huh huh huh hu-uh huh
I know this much is true

With a thrill in my head and a pill on my tongue
dissolve the nerves that have just begun
Listening to Marvin (all night long)
This is the sound of my soul,
this is the sound

Always slipping from my hands,
sand's a time of its own
Take your seaside arms and write the next line
Oh I want the truth to be known

Huh huh huh hu-uh huh
I know this much is true
Huh huh huh hu-uh huh
I know this much is true

I bought a ticket to the world,
but now I've come back again
Why do I find it hard to write the next line
Oh I want the truth to be said

Huh huh huh hu-uh huh
I know this much is true
Huh huh huh hu-uh huh
I know this much is true
This much is true
I know, I know, I know this much is true

***

Músicas são eternas, tudo que é bom pode ser eterno, mesmo que em lembranças. Entretanto, as músicas tem um sentido especial. Muitas vezes uma recordação é acompanhada de uma trilha sonora, outras vezes nossos sentimentos podem ser expressados em uma canção. Quem é que não tem a música de sua vida? Esta em especial embalou pessoas de tempos diferentes, tem um estilo cafona, romântico, associado a um clipe meigo típico das baladinhas de época.

True, de Spandau Ballet, fez um enorme sucesso em 1983, foi relembrado em 2000 como parte da trilha sonora do filme "As Panteras (Charlie's Angels, Sony, 2000)" e jamais será esquecido pelos saudositas de plantão.

Clique aqui para saber mais sobre o Spandau Ballet (Wikipedia) e aqui para ver o videoclipe.

"I bought a ticket to the world, but now I've come back again..."

sexta-feira, outubro 13, 2006

Quando voltar? Talvez.


Uma hora temos que partir, o tempo que restava se esvaiu e acabou. Antes de ir, paramos para pensar, refletir, analisar, colocar na balança tudo aquilo que foi feito, saber se valeu a pena. De um lado ficam os arrependimentos por algo que não foi feito, uma atitude que não foi tomada. Do outro a felicidade de alguns momentos.

De que lado esta balança irá pender eu não sei e jamais saberei, faltaram alguns elementos, talvez tenha faltado um certo tempo, ou o tempo que me foi dado já era, por natureza, escassa. Algumas vezes acontecem coisas incompreensiveis, daí vem a nossa teimosia em compreende-los. Oras, se é incompreensível para que teimar em compreende-lo? Não há razão. Talvez o ponto de equilibrio é fazer o que estiver ao alcance. Se não deu certo, paciência, mas é importante sempre estar consciente de que fez sua parte e partir, para o bem de todos.

É hora de ir, cedo da manhã, antes mesmo do sol nascer, antes da primeira alma despertar em um novo dia. É a oportunidade de sentir os ventos gelados, velados pela noite, acender os faróis e iluminar a estrada, ainda misteriosa e desconhecida a cada curva, tal qual desconhecido serei quando o esquecimento vier, quando menos se perceber.

Despeço-me de uma vida curta e inicio uma outra nova que não sei como será, vai depender de onde esta estrada me levar. Na bagagem levo a balança, para que eu possa pesar a proxima oportunidade que surgir. Quais eram os elementos da balança? Não vou contar. Quando voltar? Talvez.

terça-feira, outubro 03, 2006

O tesouro de Bresa


A vida é um eterno aprendizado, começamos a aprender desde os primeiros dias de nossa história até o final. Com o tempo descobrimos novos encantos, novos rumos, mudamos, adquirimos conhecimento. O tesouro de Bresa é uma história que imita a vida.

***

Houve outrora, na Babilônia, um pobre e modesto alfaiate chamado Enedim, homem inteligente e trabalhador, que não perdia a esperança de vir a ser riquíssimo. Como e onde, no entanto, encontrar um tesouro fabuloso e tornar-se assim, rico e poderoso?

Um dia, parou na porta de sua humilde casa um velho mercador da Fenícia, que vendia uma infinidade de objetos extravagantes. Por curiosidade, Enedim começou a examinar as bugigangas oferecidas, quando descobriu, entre elas, uma espécie de livro de muitas folhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos. Era uma preciosidade aquele livro, afirmava o mercador, e custava apenas três dinares.

Era muito dinheiro para o pobre alfaiate, razão pela qual o mercador concordou em vender-lhe o livro por apenas dois dinares.

Logo que ficou sozinho, Enedim tratou de examinar, sem demora, o bem que havia adquirido. E qual não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira página, a seguinte legenda: "O segredo do tesouro de Bresa". Que tesouro seria esse? Enedim recordava vagamente de já ter ouvido qualquer referência a ele, mas não se lembrava onde, nem quando. Mais adiante decifrou: "O tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, até que algum homem esforçado venha encontrá-lo."

Muito interessado, o esforçado tecelão dispôs-se a decifrar todas as páginas daquele livro, para apoderar-se de tão fabuloso tesouro. Mas, as primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos, o que fez com que Enedim estudasse os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os dialetos persas e o idioma dos judeus. Em função disso, ao final de três anos Enedim deixava a profissão de alfaiate e passava a ser o intérprete do rei, pois não havia na região ninguém que soubesse tantos idiomas estrangeiros.

Passou a ganhar muito mais e a viver em uma confortável casa.

Continuando a ler o livro, encontrou várias páginas cheias de cálculos, números e figuras. Para entender o que lia, estudou matemática com os calculistas da cidade e em pouco tempo, tornou-se grande conhecedor das transformações aritméticas. Graças aos novos conhecimentos, calculou, desenhou e construiu uma grande ponte sobre o rio Eufrates, o que fez com que o rei o nomeasse prefeito.

Ainda por força da leitura do livro, Enedim estudou profundamente as leis e princípios religiosos de seu país, sendo nomeado primeiro-ministro daquele reino, em decorrência de seu vasto conhecimento. Passou a viver em um suntuoso palácio e recebia visitas dos príncipes mais ricos e poderosos do mundo. Graças ao seu trabalho e ao seu conhecimento, o reino progrediu rapidamente, trazendo riquezas e alegria para todo seu povo.

No entanto, ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter lido e relido todas as páginas do livro.

Certa vez, então, teve a oportunidade de questionar um venerando sacerdote a respeito daquele mistério, que sorrindo esclareceu:

- O tesouro de Bresa já está em seu poder, pois graças ao livro você adquiriu grande saber, que lhe proporcionou os invejáveis bens que possui. Afinal, Bresa significa "saber".

Com estudo e trabalho pode o homem conquistar tesouros inimagináveis. O tesouro de Bresa é o saber, que qualquer homem esforçado pode alcançar, por meio dos bons livros, que possibilitam "tesouros encantados" a aqueles que se dedicam aos estudos com amor e tenacidade.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Coisas impossiveis

Outro dia vi uma frase muito interessante no Instant Messaging do meu amigo Ricardo. Não sei a autoria, mas ela dizia que: "As coisas dificeis levam muito tempo. As impossiveis, demoram um pouco mais" .

***

Reparem no poder de uma frase! Tão curta, tão intensa! Um conjunto de palavras que te inspira, instiga, desafia, motiva! É uma injeção de ânimo para um dia perdido. Perdido? Não existe nada perdido se até as coisas impossiveis se tornam possiveis, quando se tem a coragem necessária e a atitude esperada.

domingo, agosto 27, 2006

Caminhando


Sempre que posso, gosto de caminhar. Andar pelas ruas e procurar caminhos que nunca passei. Descobrir um novo atalho e curtir a brisa do final de tarde. É um bom jeito de ver o dia cair, ver o sol se por numa montanha a oeste.

Saio de casa quando a tarde anuncia sua despedida, quando a noite acena no horizonte. Volto quando as primeiras estrelas, tímidas, começam a colorir o céu. As vezes cruzo com pessoas conhecidas, outras vezes sequer percebo quem passou do lado.

Sempre me recordo das pessoas que amei, um dia que se foi e de muitas coisas que ainda quero fazer. É hora de refletir, colocar na balança tudo aquilo que vivi, analisar o que valeu e separar o que é para se esquecer.

A vida é assim também. Singela como uma caminhada. A única diferença é que ela dura um pouco mais. Viver é caminhar, a cada passo surge algo novo, cada passo dado te leva para um novo lugar. De decisões tecemos nossa teia, até que se torne uma rede que abriga nossa história.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Num palco de improviso


Não sei como começar esta mensagem, para ser honesto, nunca soube como começar, apesar de saber muito bem como gostaria de terminar.

O proximo paragrafo é sempre uma velha surpresa, não saberia por quais caminhos toda história se desenvolveria até o esperado. Em um dia como qualquer outro, uma frase como muitas que foram ditas.

Mas espere! Desta vez é diferente! Tenho consciencia de que tudo que me vem a mente não é pré-meditado, a frase seguinte não foi cuidadosamente elaborada ou inspirada. É uma surpresa. Boa ou ruim, tanto faz, é um um baú trancado esperando para ser aberto.

Quer saber? Não há nada de errado nisso! É que hoje estou imitando a vida! Finalmente pude perceber que viver é como se apresentar em um palco de improviso!

Então, quando as cortinas se fecharem, que deixemos motivos para sermos aplaudidos de pé.

terça-feira, julho 25, 2006

Wind of change


Scorpions - Wind of change

I follow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change
An August summer night
Soldiers passing by
Listening to the wind of change

The world closing in
Did you ever think
That we could be so close, like brothers
The future's in the air
I can feel it everywhere
Blowing with the wind of change

Chorus:
Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change

Walking down the street
Distant memories
Are buried in the past forever

I follow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow share their dreams
With you and me

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change

The wind of change blows straight
Into the face of time
Like a stormwind that will ring
The freedom bell for peace of mind
Let your balalaika sing
What my guitar wants to say

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow share their dreams
With you and me

Take me to the magic of the moment
On a glory night
Where the children of tomorrow dream away
In the wind of change

***

Esta música fez bastante sucesso na década de noventa, ela é inspirada num momento histórico em que o mundo assistiu o colapso da União Soviética.

O simbolo da divisão do mundo, o Muro de Berlim foi derrubado pela nova ordem mundial que começou a se estabelecer a partir dali.

Em novembro de 1989 o mundo viu diante dos olhos o nascimento de uma nova era.

Curiosidade: Moskwa é um rio que cruza Moscow, a capital da antiga União Soviética, e centro do Socialismo.

O clipe pode ser visto no YouTube.com em: Scorpions - Wind of change

sexta-feira, julho 21, 2006

Saudades


Sou uma pessoa saudosista. Sinto saudades de tudo na vida, até mesmo dos momentos ruins, porque se algo foi realmente ruim e ainda posso estar aqui para lembrar, o que conta desde então é a superação e isso transforma em saudades.

Existem diversos tipos de saudades, alguns nos fazem sorrir, outros nos fazem chorar, outros são simplesmente saudades.

Entretanto, o tipo que mais me assusta é a saudade de algo que nunca aconteceu, daquilo que poderia ter sido. Esta sim nos remete uma verdadeira dor. Tantas vezes já me vi perguntando, formulando uma frase que começa com: "E se."

Ah, é nessas horas que ficamos com um sentimento de perda, a perda daquilo que nunca existiu ou nunca aconteceu.

E se eu tivesse aceitado aquele emprego, hoje estaria muito melhor e sentiria saudades de uma brilhante carreira que construiria.

E se eu tivesse ido naquele encontro, sentiria saudades de bons momentos que um dia teriamos e sentirei saudades de momentos que ainda estariam por vir.

E se eu tivesse terminado naquele momento que as coisas iam mal, sentiria saudades de amores que viveria porque não teria medo de me apaixonar.

E se eu tivesse corrido um pouco mais, teria conseguido voltar a tempo e sentiria saudades de dias de paz, pois, teria pedido desculpas para um amigo que se foi para sempre.

E se eu tivesse escutado minha mãe e não tivesse saído naquela tarde de chuva, sentiria saudades dos meus aniversários que nunca mais aconteceram.

Uma das maiores dores de nossas vidas é sentir saudades daquilo que poderia ter sido.

quinta-feira, julho 20, 2006

Memórias


Memórias. É tudo aquilo que juntamos durante nossa existencia.

Minhas memórias são como uma vida: Rara, tão rara que jamais viverei novamente tudo aquilo que recordo.

Se pudesse escolher um momento para reviver, escolheria o dia de amanhã. Parece ir contra todos os princípios, mas é lá que reside a esperança, num novo dia que está para nascer, uma surpresa que está para se revelar, na ansiedade de um recém chegado, mesmo sabendo que quando vier, já será um novo parágrafo.

Tenho um momento para viver, felizmente não tenho escolha, é o presente, é o agora, é tudo aquilo que acontece enquanto se pensa sobre e enquanto os fatos correm a favor do tempo, até virarem lembranças.

Um dia descobriremos que a máquina do tempo nunca será inventada, porque não se inventa o que sempre existiu. Eu tenho uma máquina do tempo e ela é especial porque pode apenas olhar para o passado, aprender com os erros e relembrar os bons momentos.

Um dia descobriremos que uma vida feliz se constroi com poucos elementos: Boas memórias e um futuro enquanto o presente acontece.

domingo, julho 09, 2006

A janela do meu quarto


Da janela do meu quarto posso ver uma rua, desta janela posso ver também os passantes apressados, ansiosos para chegar em algum lugar, talvez seu lar, talvez o lar de quem os espera. Aquela velha janela já viu muita coisa, um solitário caminhando, um casal namorando, um senhor passeando com seu cachorro. É a janela que me mostra algumas vidas passando, depressa ou sem pressa, dela partem histórias de noites frias e tardes quentes, sol e chuva.

Enquanto fico a olhar por esta janela, a vida vai passando, como os transeuntes da rua, companheira e solitária. Se esta rua pudesse falar, falaria de todas as impossibilidades e todos os desencontros que cada esquina levou, tantos dobraram-na para nunca mais voltar, tantos outros por muitas vezes voltaram.

Sou o que fica observando tudo isso, num ritmo que já dura anos, um ritmo lento, assim como a propria vida, que não muda mais, até porque a perdi faz tempo. Sou o fantasma das lembranças que aqui ficaram, as lembranças daqueles que por esta janela, olharam aquela rua. A rua do tempo.